segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

MULHER NORDESTINA



Com um lenço sujo na cabeça a proteger do sol e mãos ásperas a segurar o balaio pesado, lá ía ela, magra e fraca, em direção ao rio, lavar a roupa suja. Levava consigo lembranças doloridas de sua infância de fome e as marcas pelo corpo mostravam o temperamento violento do marido. Apesar da vontade inocente, não podia fugir, pois os filhos, dez bocas choronas e famintas, também vítimas da violência paterna, contavam com o seu ninar...

Meteu os pés na água fria, refrescante. Sabão de côco passeando pela roupa, limpando e alvejando. Uma lágrima veio brincar em seu rosto queimado do sol da roça. Lágrima que corria como rio por sobre a terra sêca do sertão. Porém, aquela lágrima não era cheia, nem era alívio, era só dor e lamento.

Sonhos, já não tinha, quiçá esperança! Pra ela, esperança era ver os primeiros raios de sol anunciarem a chegada de mais um dia de labuta, de suor e de lágrimas. Contentava-se em ser uma mulher entregue a seu sofrido destino. Ela era apenas uma mulher, apenas uma mãe... Uma nordestina!


Janete Callahan
Publicado no Recanto das Letras em 30/10/2007Código do texto: T716240

Um comentário:

Janete disse...

Oi, estou honrada em ver meu texto publicado no seu blog. Puxa, que legal! Eu fiz este texto inspirado em minha propria avo. Gostaria de ver o meu blog? www.cqescrevo.blogspot.com.

Abraco!
Janete

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Sou poesia,sou procura, sou ilusão.

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Desde mocinha eu escrevia poesias, cada vez que eu terminava uma paixão, eu fazia um poema, cada tristeza, alegria,cada olhar maroto.Acho que porisso me tornei uma poetiza, pq sempre estive apaixonada.As lágrimas que eu derramava se transformavam em sementes, em letras, em textos, em poemas.Ainda hoje faço isso, qdo estou triste com alguém eu escrevo uma poesia, cada poesia minha tem uma história.É como a semente que transformou em árvore.(MyrianBenatti)