quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Meditando sobre o vazio (José Laércio do Egito - F.R.C.)


Trinta raios convergentes unem-se formando uma roda

Mas é o vazio entre os raios que facultam o seu movimento.

Modelai o barro para fazer um jarro.

O oleiro faz um vaso, manipulando a argila.

Mas é o oco do vaso que lhe dá utilidade.

Recortai no espaço vazio das paredes portas e janelas

a fim de que um quarto possa ser usado.

Paredes são massas com portas e janelas

mas somente os vazios entre as massas lhes dá utilidade.

Desta forma o ser produz o útilmas é o não-ser que o torna eficaz.
...

Tao Te King. -----------------

MEDITANDO SOBRE O VAZIO
(Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.)
O Inefável é como um vazio, um “oco”. Afim de que isto venha a ser bem compreendido vamos usar uma analogia. Consideremos um recipiente, um vaso, por exemplo. Um vaso basicamente consiste de um “oco”, ou seja, um tanto de vazio, limitado por uma parede.
Na realidade o que possibilita um vaso conter as coisas é o “oco” mas paradoxalmente este só pode atender a essa finalidade se houver uma parede limitante – LIMITE. Na realidade o “oco”, a cavidade do vaso, é uma não existência potencial, enquanto que a parede é uma existência manifesta. O “oco”, o vazio, é o que cumpre a finalidade, mas sem a parede o recipiente não cumpre as finalidades.
O mesmo acontece com relação à parede, sem o “oco” ela não cumpre a finalidade e pode-se mesmo dizer que aquela estrutura deixa de ser um vaso. Em resumo, o “oco” sem a parede não é vaso e parede sem oco também não o é. No sentido do cumprimento das finalidades de vaso podemos dizer que este sem uma parede não tem serventia, nem sequer pode ser considerado como tal e por outro lado à parede sem o vazio limitado por ela, pode ser considerado algo desde que existe objetivamente, mas que não atende à finalidade para a qual é destinada, e sendo assim ela também para nada serve como vaso.
Podemos então entender que coisa alguma – conteúdo – pode existir sem o limite
Ainda usando a mesma analogia, podemos perceber que o vazio em si é infinito desde que não está circunscrita parede alguma, por elemento limitante algum. Se assim não for, indagamos: onde se situa, então, a parede do infinito? - Se tal existisse o infinito vazio estaria limitado por uma parede e conseqüentemente ele deixaria de ser infinito. Em lugar alguma existe a “parede” limite do infinito logo podemos dizer tratar-se de um “oco” sem “parede”, algo em que tudo pode ser contido, mas que na realidade coisa alguma está contido. Somente quando surge um limite é que coisas podem ser nele contidas. Seria tal qual um vaso que pudesse conter N coisas, mas sem a parede ele não conteria coisa alguma.
Não é possível ser colocado algo dentro do vazio tal como não se pode colocar algo dentro de um vaso sem parede. A parede é algo que mesmo sendo finita dá sentido ao vaso, é ela que permite que o vazio, possa cumprir uma finalidade de continente.
Não se pode considerar algo como conteúdo sem que simultaneamente exista o algo no qual ele esteja contido - o continente. A Teoria Quântica atual afirma que o vazio, não é uma condição niilista – vazio absoluto – e sim um “reservatório” de “informações”. Isto é o equivalente à afirmativa dos místicos quando dizem que onde nada existe, existe consciência. Portanto aquilo que a Teoria Quântica chama de “informação” o Hermetismo chama de “Consciência”. Consciência é, portanto, algo que pode analogicamente ser citado como o “banco de dados cósmico” em que tudo está contido independentemente de espaço ou de tempo.
Embora no Infinito todas as possibilidades existam ainda assim somente quando surge uma “parede limitante” é que elas podem sair do nada e existirem.
No “Nada” as formas de existência são virtuais tornando-se reais somente quando surge a parede – limite – que na realidade trata-se da creação.
Vemos o porquê do Absoluto, do Infinito, ter apenas existência virtual e o porquê somente dentro da creação é que ele tem existência real.O mais elevado nível do Transcendente é um “vazio virtual” enquanto que os níveis imanentes são as paredes que o torna real. O Transcendente é o “oco” e o imanente a “parede”. O “oco” para existir precisa da parede e esta para cumprir com a sua finalidade precisa que o oco se torne limitado. Disto advém que o Absoluto, precisa do relativo, o Infinito precisa do finito, e eis mais uma resposta para aquela indagação que tanto tem sido feita; por quê Deus creou? - O sair do virtual e tornar-se real é a principal razão da existência da criação. A criação é a parede que possibilita o vazio, cumprir com sua finalidade do existir.
Um outro ponto que merece certa nível de atenção é aquele que diz respeito à origem das “paredes” limitantes do “Vazio Absoluto”. Naturalmente temos que admitir que a origem é o próprio Nada, só existe uma origem, pois só existe um infinito. O Absoluto é o próprio Infinito, algo ter outra origem seria afirmar a existência de um outro infinito, e neste caso nem um nem outro deles seria realmente infinito. Se só existe uma origem, ou a parede do vaso está contida no “oco”, no vazio,, ou seja, no vazio, está contido o “não vazio”. Sabemos que é assim, mesmo que ainda não possamos entender como é o processo em si.
Nesta palestra vimos que do vazio,, ou seja, do conteúdo embora pareça um paradoxo, mesmo assim dele gera-se o “continente”. Em outras palavras do “nada” surge tudo quanto há, até mesmo os fatores limitantes que tornam possível o virtual se apresentar como real, o manifesto tornar-se manifesto.
Para que o “nada” torne-se coisa é preciso haver o fator limitante, aquilo que estabelece uma fronteira dentro do infinito. Não poderia existir o universo imanente, aquilo que chamamos de mundo, tal como percebemos, sem os Princípios Herméticos e estes sem o limite. Para que exista o “oco” é preciso que exista a “parede”, assim sendo para que exista espaço efetivo é preciso uma outra condição, o limite. Mas podemos dizer que jamais existiu ou existe, ou existirá uma pessoa que tenha a possibilidade de entender precisamente o que é em si o limite. Vale salientar que tal condição só existe na imanência, dentro do infinito quando surge um limite surge uma imanência.

2 comentários:

REGGINA MOON disse...

Myrian,

Muito obrigada pela visita, uma honra!!Venho retriuir e parabenizá-la pelo lindo Blog que tens!
Beijos...
Reggina Moon

Anônimo disse...

Sou estudante de historia e entrei no seu site procurando uma bruxa para colocar no pendryve para o meu seminario de medievo, mas acabei achando, poesias encantadoras, parabéns por suas lindas poesias.
Um grande abç
claudia Sena uniceub
Brasilia D.f

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Desde mocinha eu escrevia poesias, cada vez que eu terminava uma paixão, eu fazia um poema, cada tristeza, alegria,cada olhar maroto.Acho que porisso me tornei uma poetiza, pq sempre estive apaixonada.As lágrimas que eu derramava se transformavam em sementes, em letras, em textos, em poemas.Ainda hoje faço isso, qdo estou triste com alguém eu escrevo uma poesia, cada poesia minha tem uma história.É como a semente que transformou em árvore.(MyrianBenatti)